Olhar para uma mata ciliar não é apenas observar um conjunto de árvores, é ler uma narrativa de resistência escrita pelo clima, pelo solo e pelo tempo. Mas essa leitura não se faz à distância. Para entender a real personalidade ecológica de um lugar, é preciso o que chamamos de trabalho de campo: ir até o local e de fato observar as espécies ocorrentes e os processos biológicos e ecológicos que ocorrem na vegetação. Recentemente, vivi esse tipo de trabalho de perto no início do levantamento florístico do Reflora Paranhana, em Três Coroas.
O trabalho, realizado em parceria com o Comitesinos, através do Projeto VerdeSinos, com apoio do Movimento Roessler e parceria do Programa Petrobrás Socioambiental, começou pelo Parque das Laranjeiras. Foram horas de campo ao lado dos botânicos João Larocca e Julian Mauhs (grandes botânicos da área), além da coordenação do projeto (da qual posso dizer com orgulho que faço parte). Para quem vê de fora, pode parecer apenas uma catalogação de espécies, mas para quem compreende a dinâmica do projeto, é a construção da base científica que permitirá, no futuro, uma restauração ecológica de precisão pelo Reflora Paranhana.
Por que o levantamento importa?
Não se restaura uma mata ciliar apenas plantando “árvores”. Uma restauração eficiente exige entender a vocação do local. No Vale do Paranhana, estamos em uma área com diferentes fitofisionomias e inserida na Mata Atlântica, o que exige um olhar atento para:
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Identidade local: Quais espécies realmente pertencem àquela margem de rio?
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Estratégia biológica: Como garantir que o que plantamos hoje terá resiliência para as próximas décadas?
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Base de dados: Transformar o que serão dez dias de caminhada e coleta em um relatório técnico que servirá de guia para mutirões e políticas públicas.
Ciência e Comunidade
Projetos de restauração falham quando ignoram a especificidade do local. Ver o levantamento florístico acontecer de fato e fornecer dados que nos serão úteis mais à frente reforça que o sucesso ambiental depende de uma base científica sólida, construída no contato direto com o ecossistema que pretendemos proteger.
Pedimos licença para entrar nas propriedades não apenas para coletar amostras, mas para reconhecer o patrimônio natural que cada morador guarda. No fim das contas, entender a composição florística de Três Coroas é o primeiro passo para decidirmos, com lucidez, como queremos que seja o futuro ambiental da nossa região.
A ciência não parou. E o levantamento é apenas o começo de uma história que estamos reescrevendo, espécie por espécie. Abaixo, alguns registros fotográficos do que foi esse início do trabalho! Descubram mais pelas redes oficiais do Reflora Paranhana: @refloraparanhana

